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domingo, 4 de outubro de 2009

Pero Vaz de Caminha

Não se sabe ao certo quando e onde Pero Vaz de Caminha nasceu. Não existem documentos da época a esse respeito. Supõe-se, porém, que seu nascimento tenha ocorrido em 1450. Seria natural do Porto, uma cidade evidentemente portuária, a noroeste da Península Ibérica, de grande importância entre os séculos 13 e 16. Nela, Pero Vaz teria se criado e passado a maior parte da vida.

Filho de Vasco Fernandes Caminha, fidalgo e escrivão ligado aos empreendimentos ultramarinos, deve ter sido educado pelo pai, que o orientou a seguir a mesma profissão que a sua. A partir da análise da "Carta do Achamento do Brasil", os estudiosos presumem que Pero Vaz tivesse uma formação cultural sólida, de acordo com os padrões da época, já que o texto demonstra erudição e estilo.

Possivelmente, como outros cidadãos do Porto, Caminha também participou da guerra contra Castela, promovida pelo rei Afonso 5o em 1476. O soberano luso visava anexar aquele reino a Portugal. Foi, porém, derrotado pelas tropas castelhanas na batalha de Toro, naquele mesmo ano.

De qualquer modo, devido à participação nos combates, Caminha foi nomeado Mestre da Balança da Casa da Moeda, um cargo equivalente ao de escrivão e tesoureiro. Segundo outras fontes, teria herdado esse posto, uma vez que era comum a transmissão de cargos de pai para filho naquela época.

Caminha também foi eleito vereador em sua cidade, em 1497, com a missão de redigir os capítulos da Câmara do Porto, uma espécie de constituição local a ser apresentada à Corte, em Lisboa. Nesse meio tempo, casou-se e teve uma filha, Isabel de Caminha.

Por sua vez, ao ficar adulta, Isabel se uniu a um certo Jorge Osório, um homem violento que acabou condenado ao exílio na África pela prática de assalto a mão armada. É por ele que o escrivão intercede, ao final da célebre Carta, pedindo ao rei que lhe mande o genro de volta a Portugal.

Nada mais se sabe sobre Pero Vaz de Caminha até sua nomeação para o cargo de escrivão da armada de Cabral, aos cinqüenta anos. Também não se conhecem ao certo as circunstâncias em que ela ocorreu. Mas não há dúvida de que o cargo revela prestígio e confiança junto à Corte portuguesa.

Caminha exerceu a função durante a viagem, mas devia depois fixar-se na Índia, como escrivão da feitoria portuguesa em Calecute, que talvez se tornasse um dos mais lucrativos entrepostos no Oriente. Nem isso aconteceu, nem o escrivão da armada chegou a ocupar o cargo. Diante da hostilidade dos habitantes de Calecute à sua frota, Cabral reagiu com grande violência. Invadiu a cidade e massacrou sua população.

Os indianos enfrentaram os portugueses, matando vários deles, entre os quais, o escrivão Pero Vaz de Caminha, que morreu em combate, em dezembro de 1500.

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