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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cabanagem (1835-1840)

No começo do período regencial, a maioria da população do Grão-Pará, formada por mestiços e povos indígenas, vivia em condições de extrema pobreza e morava em cabanas paupérrimas, construídas às margens dos rios.
Os fazendeiros e comerciantes locais, por sua vez, estavam inconformados com a nomeação do presidente da província do Grão-Pará feita pelo governo regencial.
Comerciantes, fazendeiros, mestiços e indígenas aliaram-se na mais sangrenta revolta da historia do Pará: a Cabanagem. Essa denominação tem origem da palavra cabanos, designação dada aos que moravam em cabanas e lutaram pela independência da província. Os revoltosos aderiram em massa à guerra contra o governo central. Em cinco anos a Cabanagem provocou a morte de cerca de 30 mil pessoas.
Esperando conseguir melhores condições de vida, os cabanos uniram-se aos fazendeiros e comerciantes. As classes mais abastadas, no entanto, tinham outras intenções. Pretendiam apenas obter um acordo com o governo central que garantisse sua participação nas decisões políticas e administrativas da província. Ou seja, desejavam que um deles fosse nomeado presidente do Grão-Pará. Os cabanos, por sua vez, queriam comida, casa, trabalho. Por isso, entraram na luta.
Em 1835, os cabanos invadiram e ocuparam Belém, capital da província. Mas o primeiro presidente que os cabanos colocaram no governo da província, o fazendeiro Félix Malcher, traiu o movimento, fazendo acordo com as tropas do governo central. Os revoltosos o mataram e o substituíram por Francisco Pedro Vinagre. A este sucedeu Eduardo Angelim. Para enfrentar essa revolta, as tropas imperiais receberam o apoio de mercenários europeus e foram extremamente cruéis com os revoltosos que conseguiam prender. Muitos dele foram trancados no porão de um navio e queimados com cal.
Depois de uma ano de sangrentos combates, os cabanos abandonaram Belém, embrenharam-se pelo interior do Grão-Pará e continuaram a lutar. As forças do governo saíram em sua perseguição e, quando conseguiam capturá-los, cometiam muitas atrocidades. Os cabanos eram amarrados em troncos e barbaramente açoitados; quando morriam, suas orelhas eram cortadas e dispostas num fio, em forma de colar, para serem levadas como troféu pelos perseguidores.
Essa guerra só terminou em 1840, quando os últimos cabanos se renderam, sem terem conseguido alcançar os objetivos pelos quais lutaram.

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